Quanto tempo devo cobrar ao cliente? Como deixei de adivinhar e comecei a medir

Quanto tempo devo cobrar ao cliente?
Como deixei de adivinhar e comecei a medir!

Durante anos, orçamentar um trabalho de fotografia foi sempre um misto de experiência e instinto. Sabia mais ou menos quanto tempo demorava a fotografar uma sessão de produto ou um concerto. A edição, essa, era um mistério — “vou ali ver as fotos” podiam ser 40 minutos ou duas horas, e essa diferença soma-se de uma forma que nenhum instinto consegue prever com precisão.
O tempo passado a fotografar até é fácil de medir: vejo a hora da primeira e da última foto nos metadados, e a parte da montagem dos cenários e da luz também não é muito difícil de perceber quanto tempo levou. O meu problema é a parte invisível — as horas no Capture One a fazer seleção e revelação, e no Photoshop a retocar. É essa que, provavelmente, mais define o valor real de um trabalho, e era exatamente a que eu não conseguia medir.

O problema de tentar lembrar-me…

Tentei a abordagem óbvia: um cronómetro manual, “play” quando começo a editar, “pause” quando paro. Durou pouco. Esqueço-me. Estou a meio de um retoque, alguém liga, levanto-me, e três horas depois reparo que o cronómetro ainda conta uma pausa de café que devia ter sido de cinco minutos, ou chego ao final do dia e percebo que quando voltei do almoço me esqueci de carregar no “play”.
Percebi que não precisava de mais disciplina. Precisava de automatismo.

Como um fotógrafo freelancer em Porto usou IA para automatizar o registo de horas de edição no Capture One e Photoshop, e orçamentar com precisão em vez de instinto

Onde a IA entrou — não para substituir, mas para construir

Não sou programador. Mas descrevi o problema ao Claude como descreveria a um colega: preciso de saber quanto tempo passo no Capture One e no Photoshop, sem ter de me lembrar de ligar nada. Fomos construindo a solução em conversa — eu a explicar o meu fluxo real, a IA a traduzir isso em código.
O resultado foi um pequeno script em Python que corre em segundo plano. De 5 em 5 segundos, verifica qual é a janela ativa:

“python
def identificar_aplicacao(titulo_janela, nome_processo):
    texto_busca = f”{titulo_janela} {nome_processo}”.lower()
    for chave, nome_bonito in APLICACOES_MONITORIZADAS.items():
        if chave in texto_busca:
            return nome_bonito
    return None”

Se for Capture One ou Photoshop, conta. Se eu ficar mais de 90 segundos sem mexer no rato ou no teclado, pausa sozinho — ir buscar café, ir almoçar ou atender uma chamada de outro cliente não é tempo de trabalho faturável ao cliente que estou a editar, por isso preciso de algo que conte o tempo que realmente estou a dedicar ao cliente atual.

Como um fotógrafo freelancer em Porto usou IA para automatizar o registo de horas de edição no Capture One e Photoshop, e orçamentar com precisão em vez de instinto.

Do clique inicial à fatura, tudo automatizado

Depois de automatizar a contagem de tempo no Capture One e no Photoshop, decidi levar isto um passo mais além: pedi ao Claude para criar um automatismo que me cria a pasta do trabalho novo já com tudo o que preciso lá dentro — o ficheiro de Excel com os tempos, uma pasta com um ficheiro do photoshop para gravar o setup de luz, e uma pasta de “Notas” para apontar o que for preciso sobre esse trabalho específico.
Pode nao parecer muito, mas para alem de poupar alguns minutos a juntar tudo, simplifica todo o processo e evita que me esqueça de algum passo.
Hoje, quando começo um trabalho novo, corro um único ficheiro que faz tudo por mim:- Cria a pasta da sessão a partir do meu template, já com os ficheiros e subpastas todos no lugar
– Abre o Capture One já na sessão certa, com o nome do cliente
– Arranca o tracker sozinho
(O Photoshop não abre automaticamente — nem sempre o uso, depende do trabalho, por isso faz mais sentido abri-lo só quando preciso.)
Eu só fotografo e edito; o sistema trata do resto.
No fim, o tempo de edição é escrito diretamente numa folha de Excel que já uso há anos, ao lado da tabela de horas do tempo que passei a fotografar, que preencho à mão. As fórmulas no Excel calculam o total de tempo a editar e o valor a faturar.

Como um fotógrafo freelancer em Porto usou IA para automatizar o registo de horas de edição no Capture One e Photoshop, e orçamentar com precisão em vez de instinto.A IA como assistente, não como substituto

 

Como um fotógrafo freelancer em Porto usou IA para automatizar o registo de horas de edição no Capture One e Photoshop, e orçamentar com precisão em vez de instinto.

Não pedi ao Claude para tirar fotos, editar uma imagem, ou decidir o que é uma boa fotografia — isso continua inteiramente decidido por mim.
Pedi ajuda para resolver um problema administrativo chato que me tirava tempo e precisão ao negócio. A IA não substituiu a minha fotografia; libertou tempo e deu-me dados reais para a valorizar melhor. É essa a diferença que importa: usar a ferramenta para o que não é o meu ofício, para dedicar mais energia ao que é.
Hoje sei, com números e não com instinto, quanto tempo cada projeto realmente consome. E isso muda tudo na forma como orçamento — finalmente com a confiança de que o preço reflete o trabalho, não um palpite.

Como um fotógrafo freelancer em Porto usou IA para automatizar o registo de horas de edição no Capture One e Photoshop, e orçamentar com precisão em vez de instinto. 

Paulo Gonzo em Matosinhos a 12-06-26 por Rui Bandeira
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